Jornal: O POVO
Editoria: ECONOMIA
Assunto: Mercado Imobiliário
Data: 03/04/2009 – sexta-feira
Fortaleza
Preços de terrenos recuam
Após quase dois anos de forte valorização nos preços dos terrenos em Fortaleza, em consequência da chegada de grandes construtoras no mercado cearense, os valores cobrados pelas áreas passam agora por um processo de estabilização. Efeito da crise financeira, segundo o Sinduscon-CE
A euforia passou. Ou pelo menos deu uma trégua ao setor imobiliário cearense. Depois de quase dois anos de forte valorização nos preços dos terrenos, em consequência principalmente da chegada de grandes construtoras de capital aberto ao mercado local, os valores destas áreas passam agora por um processo de estabilização. Efeito da crise financeira internacional, que abalou o preço das ações de empresas como Gafisa, Odebrecht, Rossi, Cyrela, entre outras, fazendo com que o ritmo frenético de compra - e venda - de terrenos na cidade diminuísse. Por cautela, as construtoras locais também desaceleraram, contribuindo para a redução na demanda.
“Em 2007 e 2008 houve uma euforia no mercado imobiliário cearense. Os preços de terrenos e apartamentos subiram. A gente estava sentindo que aquilo não era normal. Principalmente as empresas do Sul estavam pagando pelos terrenos preços exagerados. O que está ocorrendo agora é um processo inverso. A tendência é voltar à realidade de preços de dois, três anos atrás”, explica o engenheiro Francisco das Chagas Cavalcanti, professor do curso de Avaliação Imobiliária do Centro de Treinamento de Desenvolvimento (Cetrede). Ele pontua que a estancada nos preços dos terrenos é importante para que o mercado imobiliário como um todo volte a funcionar “dentro da normalidade”. “Acabou sendo bom para todos. Para o mercado em geral. Tanto para quem compra terrenos quanto para os que vendem”, diz.
Pés no chão
Armando Cavalcante, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) reforça que o que houve em Fortaleza foi uma espécie de “especulação momentânea” e acrescenta que nesse momento “o comprador está com os pés no chão”. “Agora o comprador não vai pagar além do que vale”, destaca Armando. Se é um bom momento para comprar um terreno? Armando afirma que sim. “É hora de comprar terreno por conta da acomodação do mercado”, argumenta complementando que “a euforia e a especulação iriam gerar um problema grande no futuro”. “A crise acabou com esse problema”, finaliza o presidente do Creci-CE.
Preços
Para o setor imobiliário, falar em estabilização de preços não quer dizer exatamente desvalorização nos preços dos terrenos. No entanto, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-CE) estima que de setembro para cá houve desvalorização de até 25% nos preços. “Grandes empresas compraram vários terrenos em Fortaleza. O setor realmente estava aquecido. O preço chegou a inflacionar. Mas algumas empresas já estão desistindo de projetos aqui. Se estavam previstos, por exemplo, quatro grandes empreendimentos, com a crise, passou a focar mais em um ou dois”, afirma Ananias Granja, vice-presidente de Obras Pesadas do Sinduscon-CE.
Ele diz não ter como pontuar em quais áreas da cidade essa desvalorização de 25% acontece. “É de forma geral”, diz citando como exemplo um terreno na rua Joaquim Nabuco cujo metro quadrado custava mais que R$ 800 e foi vendido a R$ 570.
Coisa parecida acontece com Auriz Bezerra que está vendendo um terreno que possui no bairro Dunas. Ele conta que o terreno de 12 por 40 metros poderia ter sido vendido no ano passado por aproximadamente R$ 10 mil a mais do que está valendo hoje. “Hoje está valendo R$ 80 mil. Mas é isso mesmo, né?”, finaliza.
Sindicatos contestam
A estimativa do Sinduscon-CE de desvalorização de até 25% nos preços dos terrenos de setembro para cá não é consenso entre os que atuam no mercado imobiliário. O empresário Luciano Calvacante concorda que a demanda por terrenos diminiu nos últimos meses, mas que os preços praticados atualmente são os de mercado. "A euforia deu uma diminuída, mas os preços não", diz.
O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), Sérgio Porto, diz que é precipitado falar em redução de preços dos terrenos. "Falar de redução de preços é falar de casos isolados. Não quer dizer que seja uma tendência de mercado", diz Porto defendendo que antes de definir um percentual de desvalorização de preços é necessário fazer uma pesquisa com esse foco.
NÃO BASTA IPI, MAS TAMBÉM ICMS
A Votorantim Cimentos diz que os preços dos seus produtos já refletem, desde meia-noite do dia 1º, a redução de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O IPI do cimento caiu de 4% para zero e da argamassa (de 5% para zero) – valendo até 30 de junho. Mas, o presidente do Sinduscon-CE, Roberto Sérgio Ferreira, diz que além da redução do IPI o setor espera a redução do ICMS, o principal imposto estadual. Apesar do cofre cheio do Estado, está sendo difícil convencer o secretário Mauro Filho.