Jornal: O POVO
Editoria: ECONOMIA
Assunto: Pacote Habitacional
Data: 07/04/2009 – terça-feira
Habitação
Movimentos podem acelerar processo
A participação do movimento popular organizado e de suas entidades representativas é considerada fundamental para acelerar o programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal
A participação do movimento popular organizado e de suas entidades representativas é considerada fundamental para acelerar o programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, que entra em execução no próximo dia 13 de abril. Essa foi uma das conclusões do seminário que reuniu também lideranças comunitárias e políticas, e dirigentes da Associação de Moradores de Bairros e Favelas, da Fundação Habitacional de Fortaleza (Habitafor) e da Caixa Econômica. O objetivo era discutir o programa que pretende construir um milhão de moradias em todo o País.
O senador Inácio Arruda (PCdoB), que organizou a reunião, disse que a prioridade do programa é a população com renda até três salários mínimos, onde se concentra 80% do déficit habitacional de cerca de sete milhões de unidades. “O movimento tem que apresentar a demanda e dizer onde devem ser construídas as moradias”, destacou, ressaltando que o engajamento vai dar velocidade ao programa. Também falou a emenda de sua autoria que prevê a inclusão de imóveis usados no rol dos que poderão ser subsidiados na aquisição pela população de baixa renda.
A proposta de aproveitar os mais de 600 imóveis desocupados, existentes no Centro da Capital, para serem requalificados e transformados em moradia, já foi encampada pela Habitafor. Arruda observa que nas áreas centrais de outras cidades é grande o número de imóveis vazios ou subutilizados, cujo aproveitamento implicará numa relação de melhor custo-benefício, pois se trata de construções prontas, já servidas de toda uma rede de infraestrutura em seu entorno. “Mas tudo isso só será feito se tomarmos o programa em nossas mãos, com a população organizada fazendo pressão para o projeto andar com a velocidade que a gente precisa”, afirma o senador.
Arruda falou sobre a importância desse programa para o Brasil, que além do déficit habitacional crônico precisa de quase um milhão de imóveis novos por ano. “Para não sermos contaminados pela crise econômica a melhor solução é um grande projeto habitacional”.
Engenheiros da Caixa em Greve
Paralisação de engenheiros e arquitetos da Caixa Econômica Federal, hoje, em todo o País, pode atrasar a liberação de financiamentos. O movimento dos responsáveis pela análise de projetos e acompanhamento de obras do governo, é para exigir reajuste. A Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa (Aneac) rejeitou no mês passado uma proposta de aumento para os profissionais por considerá-la inferior ao esperado.
A Caixa ofereceu aumento de R$ 70 para os profissionais que recebem o piso da categoria, de R$ 5.030, e de R$ 26 para os funcionários que estão no topo da carreira, com salário de R$ 8.289. A instituição é responsável pela quase totalidade do programa federal “Minha Casa, Minha Vida”, que pretende construir um milhão de moradias populares, e está previsto para entrar em operação no próximo dia 13. Hoje a Caixa tem cerca de 1.300 engenheiros e arquitetos para acompanhar e fiscalizar obras - cada um é responsável por R$ 60 milhões em projetos, em média.
“Até agora fizemos mobilizações de uma hora por dia. Mas (com a paralisação desta terça), é um dia a menos de análise de acompanhamento de obras”, afirmou o presidente da Aneac, Alexandre Kist Bacher. “A gente quer dar uma advertência”, diz.