Construtoras já sentem movimentação maior

Jornal:     DIÁRIO DO NORDESTE
Editoria:   ECONOMIA (Imóveis)
Assunto:  Pacote Habitacional
Data:       09/04/2009 – quinta-feira

 


APÓS MEDIDAS DE ESTÍMULO À HABITAÇÃO

Construtoras já sentem movimentação maior

Janeiro e fevereiro tiveram maior demanda nas construtoras, mas pacote só deve refletir no 2º semestre

O anúncio das medidas federais de estímulo a habitação no País já começaram a surtir algum efeito no Ceará. De acordo com representantes da indústria da construção civil e do mercado imobiliário, a procura por imóveis nos estandes de construtoras e nas imobiliárias apresentou aquecimento em fevereiro e março últimos, em relação aos meses finais de 2008. Os impactos do pacote “Minha casa, minha vida ”, entretanto, só é esperado efetivamente a partir do segundo semestre do ano.

Para André Montenegro, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil do Estado (Sinduscon-CE), um bom termômetro do aquecimento das vendas foi o Salão Imobiliário Ceará (Simc 2009), realizado em Fortaleza, de 25 a 29 de março, no Centro de Convenções. “Todo mundo vendeu imóvel lá”, comenta.

O Simc 2009 reuniu cerca de 100 expositores, entre construtoras, incorporadoras, imobiliárias e bancos. De acordo com Louvimar Araújo, diretor da 2LA Eventos, empresa organizadora do Salão, os negócios foram positivos. O evento — que teve o apoio do Sistema Verdes Mares — movimentou R$ 180 milhões em vendas, e contou com a visitação de 38 mil pessoas, segundo dados preliminares.

O vice-presidente do Sinduscon destaca que a carência de unidades habitacionais no Estado — e no País como um todo — ainda é muito grande. Por isso, as medidas adotadas pelo governo devem ocasionar o atendimento a esta demanda reprimida, com o lançamento de imóveis cada vez mais focados no perfil da população.

Retração foi superada

“O reflexo do pacote, no entanto, deve ser sentido a partir do segundo semestre, quando os projetos vão estar estruturados e prontos para serem lançados”, afirma Montenegro. Ele reforça que o período de retração da procura por unidades habitacionais foi superado. “Fevereiro, março e agora, no começo de abril, a gente já sente o consumidor voltando a comprar imóveis”, diz.

Estabilidade nos empregos

De acordo com Montenegro, os imóveis lançados em 2007 e 2008 vão começar a ser construídos este ano. Por isso, a tendência no mercado de trabalho da construção civil é de estabilidade. “Não houve grande demissão no ano passado e as construtoras devem começar a contratar apenas após a formatação dos novos empreendimentos”, argumenta.

Termômetro do mercado, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostra que em fevereiro, a construção civil gerou 528 vagas com carteira de trabalho assinada no Estado. No primeiro bimestre de 2009, o saldo do segmento é positivo, com 106 vagas criadas.

Já no subsetor de comércio e administração de imóveis, o Caged registra geração de 472 empregos celetistas, em fevereiro, e perda de 202 postos no bimestre, em todo o Estado.

CONCRETIZAÇÃO DE VENDAS NO 2º SEMESTRE
Stand recebe até 50 ligações por dia

O reaquecimento do mercado cearense de construção civil pode ser comprovado pela movimentação nas imobiliárias. Segundo o corretor Nairo Cavalcante Júnior, proprietário da Ética Imóveis, o telefone não pára de tocar: “Recebemos, em média, de 30 a 50 ligações por dia”.

No entanto, ele espera que as vendas se concretizem apenas no segundo semestre. “O pacote habitacional gerou muita expectativa nas pessoas, mas os projetos ainda não estão prontos”, argumenta.

A Ética Imóveis está com cerca de 40 unidades residenciais e comerciais exclusivas em oferta. São produtos com preços que variam de R$ 50 mil a R$ 4 milhões — neste último caso, um apartamento residencial na Beira-Mar. “O que está vendendo mais são os imóveis na faixa de R$ 80 mil”, ressalta Júnior.

De acordo com Nairo Júnior, as imobiliárias estão migrando para bairros como Maraponga e Passaré, que concentram lançamentos voltados para a classe média. “Nos bairros nobres, o problema do déficit habitacional já está resolvido. A compra do primeiro imóvel acontece mais em bairros afastados. É impressionante como a Maraponga está com bons empreendimentos, que são vendidos em apenas três meses”, diz.

João Carlos Gondim, diretor comercial da A Predial, afirma que a empresa sentiu a melhora nos negócios há uns dez dias. “Participamos do Salão Imobiliário do Ceará e sentimos a procura tanto por lançamentos quanto por imóveis avulsos”. Para ele, o mercado reagiu bem ao pacote habitacional. “As medidas anunciadas deram confiança aos consumidores que estavam esperando a oportunidade para comprar imóvel”.

Embalada pelas facilidades, a clientela está mais exigente — afirma Gondim. “Quer ver mais opções e exige mais profissionalismo das imobiliárias e dos corretores. Hoje, o corretor precisa entender não só de imóvel como de financiamento bancário porque grande parte das vendas é por financiamento. Antes, era à vista ou direto com a construtora”.

Acompanhando o clima de otimismo do mercado, A Predial ampliou seus dias e horários de funcionamento: está aberta também aos sábados, em sistema de plantão, até as 15 horas.

“Com essa estratégia passamos a atender clientes que, durante a semana, não têm tempo para procurar e visitar imóveis, seja uma casa, apartamento ou estabelecimento comercial”, diz o diretor comercial.

O plantão também funciona via telefone, pelo número 4012.8000.

Segundo Gondim, o plantão continuará até o mês de abril e, provavelmente, até o meio do ano. “Porque vale a pena. A gente nota que o cliente de fim de semana é o comprador, já com poder de decisão, fecha negócio porque é mais objetivo”, argumenta. A expectativa da Predial é de crescimento de 15% no volume de vendas ao longo de 2009.



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