Construção e agropecuária demitem mais no Ceará

Jornal:     O POVO
Editoria:   ECONOMIA
Assunto:  Emprego na Construção
Data:       16/04/2009 – quinta-feira
 

Emprego formal

Construção e agropecuária demitem mais no Ceará

A agropecuária e construção civil não acompanham demais setores da economia e registram queda no número de empregos formais

 

Setores ligados à agropecuária e à construção civil foram os que registraram maior queda no saldo do emprego formal no Ceará. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, divulgados ontem, no mês de março, 1.571 mil pessoas perderam o emprego na agropecuária e 4.012 foram dispensados dos canteiros de obras.

De forma geral, englobando todos os setores da economia, os dados são praticamente estáveis. Foram admitidas 28.131 pessoas contra 26.759 demitidas no mês passado, saldo de 1.372 postos de trabalho ou variação positiva de 0,17%.

Quando analisa-se os três primeiros meses de 2009, os números pioram. No campo, 7,2 mil pessoas entraram na fila do desemprego e 10,77 mil operários da construção foram dispensados.

“A crise é um processo que afeta os setores de maneira diferente. Hoje as obras públicas estão paradas, tanto da prefeitura quanto do Estado”, analisa o vice-presidente de assuntos trabalhistas do Sindicato da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), Fernando Pinto.

Segundo Pinto, o setor imobiliário só agora começa a reaquecer. “Temos que entender que trabalhamos com um produto que requer crédito e confiança do cliente. A queda do emprego é um reflexo disso”, afirma. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), José Ramos Torres de Melo, diz que ficou surpreso com estes números.

“Não é comum quem tem carteira assinada deixar o emprego. Como temos o maior número de empregados formais na agricultura irrigada e, neste período de chuvas, este tipo de cultura não é utilizada, pode ter acontecido estas demissões”, supõe Torres de Melo.

No azul
O lado positivo foi o desempenho da indústria do Ceará, que pela primeira vez, em três meses, registrou saldo positivo no número de empregos formais.

Em março, foram abertas 7.554 vagas contra 5.772 demissões. O resultado equivale a uma variação de 0,84% ou saldo de 1.782 empregos. Em termos proporcionais, o Ceará teve desempenho melhor que o Brasil.

No ano, os números ainda estão negativos. Foram criadas 17.135 vagas e 19.139 operários perderam o emprego.”É inegável que março foi excelente em relação aos últimos resultados e no comparativo com o ano passado, mas ainda é cedo para se avaliar qualquer tendência de reaquecimento”, explicou o economista Célio Fernando Bezerra Melo.

Em comparação a março do ano passado, os resultados mostram melhora significativa nos empregos da indústria cearense. Foram gerados 6.178 empregos contra 5254 demissões, em 2008. Já agora, 7.178 vagas foram abertas em contrapartida a 5.772 perdas de emprego. Saldo de vagas do mês de março, no último ano fechou em 0,48% e, agora, fica em 0,84%.

 

País registra saldo de 34 mil vagas


O saldo entre admissões e demissões ficou positivo, no Brasil, em 34.818 vagas com carteira assinada. Em fevereiro, o número foi positivo em 9.179 empregos formais, pela primeira vez depois de três meses seguidos de saldo negativo.
O saldo de empregos formais em março foi menor do que o registrado em igual mês do ano passado, com 206.556 vagas formais.

No acumulado de janeiro a março deste ano, o Caged registra saldo negativo de 57.751 postos de trabalho formais. No mesmo período de 2008, o saldo era positivo em 554.440 vagas.

Entre os setores da economia brasileira, o da indústria continuou registrando saldo negativo na geração de empregos em março, com 35.775 vagas formais a menos.

Em fevereiro, o saldo da indústria foi negativo em 56.456 postos de trabalho formais.



« ver todas as notícias


Av. dos Expedicionários, 5571, Bairro Aeroporto, Fortaleza, CE, Brasil, Fone: (85)3433.6707