Jornal: DIÁRIO DO NORDESTE
Editoria: ECONOMIA
Assunto: Pacote Habitacional
Data: 18/04/2009 – sábado
PROCURA QUADRUPLICA
Caixa amplia projeção para crédito de imóvel
Com programa habitacional, banco registra incremento no total de acessos ao simular de crédito
Rio. A Caixa Econômica Federal (CEF) deve revisar para cima a projeção de crédito imobiliário para esse ano, inicialmente estimada em R$ 27,5 bilhões, segundo sua presidente, Maria Fernanda Ramos Coelho, devido ao impacto do programa habitacional “Minha casa, minha vida”. Segundo ela, a estimativa já era 25% superior ao apurado em financiamento habitacional no ano passado (R$ 22 bilhões).
A Caixa ainda não tem uma nova projeção a ser anunciada, porque o andamento do programa depende de articulações entre estados, municípios e empresas para a construção de empreendimentos imobiliários — articulações essas que agora começam a ser feitas, com a implementação de convênios e parcerias. Ontem foi assinado o termo de adesão da CEF com a prefeitura do Rio de Janeiro para o programa “Minha casa, minha vida - Rio” lançado oficialmente na cidade fluminense.
A executiva comentou que, somente por conta do programa, o número dos acessos ao site da Caixa para simulações de financiamentos habitacionais mais que quadruplicou, passando de 70 mil por dia para 434 mil, com mais de um milhão de simulações por dia, em apenas cinco dias. “Somente ontem, tivemos mais de um milhão de acessos”, afirmou a presidente. O simulador permite aos interessados em obter financiamentos habitacionais na Caixa calcular o valor das prestações, de entrada, prazos ou juros.
Maria Fernanda destacou ainda que, também impulsionado pelo aumento de interessados no programa, o crédito habitacional da CEF no primeiro trimestre deste ano aumentou 119% em relação a igual período no ano passado, totalizando R$ 7 bilhões. “Esse montante é superior a todo o crédito imobiliário que oferecemos durante o ano de 2004”, disse.
No caso do Rio, a previsão da prefeitura é de que 100 mil unidades sejam construídas, em quatro anos. “A meta do Rio de Janeiro é ambiciosa”, classificou a presidente da Caixa. No âmbito federal, a previsão é de que o programa movimente R$ 34 bilhões, e promova a construção de um milhão de moradias em todo o Brasil.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, comentou que o programa é uma solução adequada ao crescente problema de favelização da cidade, visto que a principal fatia de interessados a serem atendidas são pessoas de baixo poder aquisitivo, com renda entre zero e três salários mínimos.
No Ceará, a Caixa financiou 2.126 imóveis, no valor de R$ 71,2 milhões, só no primeiro bimestre de 2009. O volume representa crescimento de 159% em relação ao mesmo período de 2008. “A gente quer ser referência, ficando entre os melhores desempenhos do País no programa”, diz o superintendente Gotardo Gurgel.
PROGRAMA HABITACIONAL
Estados não serão executores
Belo Horizonte. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, descartou a participação de Estados e municípios como executores do programa habitacional ´Minha Casa, Minha Vida´, cuja meta é construir 1 milhão de moradias. Segundo Dilma, o programa exige celeridade e o papel dos Estados e municípios deve se resumir à oferta de cadastro de beneficiados para as construtoras.
´A idéia é de uma agilidade diferenciada. A relação é entre o agente financeiro, Caixa, e o investidor, empresa - aquele que vai construir. Nós achamos que não seria muito eficiente fazer um passeio do dinheiro pelos Estados ou pelos municípios´, argumentou, observando que esse ´método´ demandaria um ´prazo imenso´ para licitações e projetos.
´Para fazer um milhão de casas não pode ser pelo método anterior. Tem que ser por esse novo método, que é uma relação determinada, com as empresa´, reiterou. ´Não tem licitação, não tem 8666 (número da lei que regula licitações) porque nós estamos apostando na iniciativa privada.´
Reunidos em São Paulo, secretários estaduais da Habitação e Desenvolvimento Urbano insistiram na proposta de que o governo federal repasse recursos diretamente para Estados e municípios, e não somente para a iniciativa privada com a alegação de que existem mais de 40 mil moradias em projetos já aprovados e licitados, prontas para serem construídas.
´A reivindicação de passar para Estados e municípios é outro modelo, não tem nada haver com o programa ´Minha Casa, Minha Vida´. Nós não temos como fazer fundo garantidor´, reagiu Dilma.
Subsídio
De acordo com a ministra, ´não há hipótese´ de o governo subsidiar as construtoras. ´A empresa não encosta o dedo no subsídio. O subsídio vai para o mutuário. A dona Maria, o seu José ali vão ganhar o subsídio na conta corrente dele´, disse. ´Para não ter risco de desvio de subsídio nós estamos fazendo uma relação direta.´
Contrato
Dilma participou ontem, em Belo Horizonte, da assinatura do primeiro contrato nos moldes do plano habitacional do governo federal, com a Asa Incorporadora, braço da Agra Incorporadora para o segmento de baixa renda.
Os futuros proprietários dos imóveis também assinaram o contrato durante um evento na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O contrato faz parte de um montante de R$ 120 milhões que a incorporadora assinará com a Caixa Econômica Federal para a construção de duas mil moradias em Minas, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. Segundo a empresa, cada unidade habitacional custará entre R$ 55 mil e R$ 80 mil.
Durante o evento, o presidente da Fiemg, Robson Braga de Andrade, manifestou preocupação de que o programa imobiliário encontrará na burocracia ´seu grande adversário´.
A ministra respondeu afirmando que o governo não tem poupado esforços para resolver ´os gargalos que têm desde o momento que você tem o terreno até o momento que você tem a chave´, enfatizou.