Jornal: O POVO
Editoria: ECONOMIA
Assunto: Habitação
Data: 29/04/2009 – quarta-feira
No curto prazo
Greve na Caixa pode prejudicar programa da habitação e PAC
A greve de advogados, engenheiros e arquitetos da Caixa Econômica Federal, iniciada ontem, pode impactar na diminuição do ritmo da análises de processos ligados à importantes programas do Governo, como o “Minha Casa, Minha Vida” e o PAC. Um balanço aponta que 80% dos profissionais aderiram
Em greve desde ontem, advogados, engenheiros e arquitetos da Caixa Econômica Federal, com funções estratégicas para o andamento e celeridade de programas do Governo como o “Minha Casa, Minha Vida” e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), participam hoje de uma assembleia para definir os rumos da paralização, deflagrada na noite de segunda, 27, como sendo de tempo indeterminado.
Os profissionais em greve rejeitaram a última proposta da empresa para a revisão da atual estrutura salarial das carreiras. De acordo com Marcos Saraiva, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, em outubro de 2008, durante o fim da campanha salarial dos bancários, a Caixa havia se comprometido a apresentar uma proposta até março deste ano. “Mas o que a Caixa apresentou está abaixo dos valores de mercado. Apresentou uma proposta rebaixada”, argumenta Saraiva, complementando que até a noite de ontem a Caixa não havia sinalizado uma nova proposta.
Adesão
O balanço parcial da greve indica que cerca de 80% da categoria aderiu ao movimento em todo o País. O vice-presidente da Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa (Aneac), Frederico Valverde, confirma que o movimento chega a paralisar a análise dos projetos do PAC e do “Minha Casa, Minha Vida”.
Valverde disse ainda que a oferta da Caixa de reajuste médio de 7,5% não coloca a categoria na mesma posição de profissionais dos ministérios e outros órgãos do Governo que exercem as mesmas funções.
Ainda segundo Valverde, com esse reajuste, os profissionais da Caixa estarão recebendo cerca de 40% menos. Ele disse que o salário inicial da categoria é de cerca de R$ 5 mil, enquanto em outros órgãos do governo, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é de R$ 8 mil.
Em Fortaleza, a assessoria de imprensa da Caixa não disponibilizou o quantitativo de profissionais em greve no Estado, nem que prejuízos a paralisação pode causar em âmbito local. Nacionalmente, a Caixa soltou uma nota afirmando que “está em processo de negociação com as entidades representativas dos empregados, voltando todos os esforços necessários para chegar a um entendimento”.
A nota diz ainda que “a Caixa apresentou proposta com reajustes diferenciados, com o objetivo de valorização da carreira profissional. e que diante do novo contexto macroeconômico, a proposta apresentada contempla interesses da categoria, sem comprometer sua viabilidade técnica e financeira”.