Jornal: DIÁRIO DO NORDESTE
Editoria: ECONOMIA (Imóveis)
Assunto: Mercado Imobiliário: RMF
Data: 14/05/2009 – quinta-feira
TERRENOS ESCASSOS NA CAPITAL
Condomínios ganham a RMF
A escassez de terrenos na Capital leva empresas a investirem em municípios em desenvolvimento na RMF
A escassez de terrenos em Fortaleza e o desenvolvimento de outros municípios da Região Metropolitana têm levado as construtoras a olharem com mais atenção também para áreas fora da capital. Eusébio e Aquiraz despontam na frente, seguidos por Caucaia e Maracanaú. Alguns empreendimentos já começam a surgir timidamente em Maranguape.
O vice-presidente do Sinduscon-CE (Sindicato da Construção Civil do Ceará), André Montenegro, explica que o principal motivo da descentralização é a falta de terrenos livres na capital: ´Fortaleza está mais cara e obrigando o mercado a se adequar´. Como exemplo ele cita o bairro Seis Bocas, que puxou a expansão da zona leste e hoje quase não possui áreas de tamanho considerável para condomínios horizontais.
Os preços dos imóveis compensam a distância para muita gente que troca áreas nobres de Fortaleza por condomínios no Eusébio e Aquiraz, os dois municípios que dividem a preferência da classe A. De acordo com João Carlos Gondim, diretor comercial da administradora A Predial, com o valor de um apartamento de 100 m² no bairro Meireles, entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, é possível adquirir uma casa de alto padrão com três suítes e ampla área verde no Eusébio.
Apesar do receio inicial com um condomínio localizado a 800 metros da CE-040, a Construtora Terra Brasilis comercializou em apenas quatro meses todos os 283 lotes do Quintas do Lago, lançado em 2003, voltado para a classe A. Segundo Eduardo Pinheiro, diretor de negócios da empresa, os resultados obtidos com esse empreendimento no Eusébio já levam ao planejamento da construção de um condomínio do tipo também no Aquiraz.
´É uma tendência global. A cada dia devem surgir mais projetos especiais para quem precisa de mais espaço ou deseja morar perto do trabalho´, Pinheiro. De olho na classe média surgida em Maracanaú, a construtora lançou o Jardins da Serra, formado por casas com 250 m² de área, ao preço médio de R$ 97 mil. Seus compradores são, principalmente, profissionais liberais que trabalham na região e executivos das indústrias instaladas no local.
A médica veterinária Iara Biasia trocou São Paulo por Fortaleza há três anos. Sua primeira moradia foi uma casa na Cidade dos Funcionários, na capital. No ano passado, porém, preferiu comprar uma casa em condomínio no Maracanaú, atraída pelas áreas verdes e pela praticidade em relação ao trabalho, já que se divide entre Fortaleza e Guaramiranga. ´Com o dinheiro que gastei, provavelmente não teria uma casa com segurança, padrão e tamanho tão bons na capital´.
Baixa renda
O preço também é atrativo para as famílias com rendimento menor. Em Maracanaú, argumenta João Carlos Gondim, da A Predial, um imóvel popular chega a ser 30% mais barato do que um equivalente na capital. ´A diferença pode ser até maior, dependendo dos bairros que forem comparados´, completa.
´Não tem imóvel novo pra baixa renda em Fortaleza. As construtoras que não tinham se preparado para a escassez de terreno aqui tiveram que procurar outras áreas´, conta Martônio Rodrigues, gerente comercial da Porto Freire Engenharia, empresa que na última década comercializou cerca de 2.500 unidades em Caucaia, voltadas para famílias com renda mensal de 3 a 7 salários mínimos, que buscam apartamentos de menor porte, com valor de R$ 40 mil a R$ 55 mil.
Com a expectativa da consolidação do complexo industrial e portuário do Pecém, o município de São Gonçalo do Amarante pode ser a próxima bola da vez no mercado imobiliário. Empreendimentos como refinaria, siderúrgica, térmicas e indústrias demandam mão-de-obra intensiva e, para evitar a favelização ou ocupação desordenada, o governo do Estado já iniciou conversas com empresários da iniciativa privada para que apresentem projetos para o entorno do complexo, dentro do programa habitacional ´Minha Casa, Minha Vida´, do governo federal.
De acordo com o presidente do Sinduscon-CE, Roberto Sérgio Ferreira, as construtoras estão atentas à demanda, mas ainda não há nada definido. ´Estamos esperando um cronograma mais consistente desses empreendimentos para agir. Por enquanto, só há reservas de terreno pelo governo do Estado para habitação no local´.
INFRA-ESTRUTURA
Acesso e transportes ainda são insuficientes
O crescimento do mercado imobiliário fora de Fortaleza ainda encontra um empecilho: a infra-estrutura nem sempre atende às necessidades dos moradores. Além do suprimento de água e energia, o acesso viário e a disponibilidade de transporte público são essenciais para o sucesso das empreitadas comerciais na Região Metropolitana.
´O acesso ao Eusébio é até bom, mas para Maracanaú já não é tanto e para Caucaia há muito engarrafamento´, comenta João Carlos Gondim, diretor comercial da A Predial. Martônio Rodrigues, executivo da Porto Freire, chama atenção para a malha de transporte público: ´Se não é boa nem em Fortaleza, imagine fora. Isso compromete os resultados a médio e longo prazos´.
A veterinária Iara Biasia considera o acesso entre Fortaleza e Maracanaú bom, principalmente por existirem três possibilidades de caminho, mas ressalta que poderia ser melhor. ´A conservação das vias deixa a desejar´, comenta, sobre o problema agravado pelas chuvas.
Para André Montenegro, vice-presidente do Sinduscon-CE, falta planejamento para ações coordenadas entre os poderes públicos. ´Municípios e Estado não conversam para um melhor crescimento dessas regiões´, afirma. A expectativa é que que a situação melhore com o Metrofor (Metrô de Fortaleza), cuja primeira estapa está prevista para entrega em 2010. Do centro de Fortaleza para a estação de Maracanaú, estima-se que o trajeto seja feito em 20 minutos.
Comércio e serviços
Além do transporte público, a existência de comércio próximo e a oferta de serviços fazem parte do pacote essencial procurado pelos moradores. ´O preço do apartamento foi bom, mas é importante também o fato de ter transporte para lá a todo momento e de encontrar tudo por perto´, diz a vendedora autônoma Maria de Fátima da Cunha, que está saindo da casa da família no bairro Henrique Jorge para um apartamento em Caucaia.
No caso dos condomínios para as classes média e alta, as próprias construtoras costumam atrair colégios e centros comerciais para compensar a distância do centro da capital. ´No começo subsidiamos o aluguel até a auto-suficiência dos estabelecimentos´, explica Eduardo Pinheiro, da Terra Brasilis, que afirma estar captando escola e shopping center para Maracanaú.