Jornal: O POVO
Editoria: ECONOMIA
Assunto: Compra da Casa Própria
Data: 24/05/2009 – domingo
Habitação
Hora de comprar sua casa
O momento é propício para realizar o sonho da casa própria. Quem afirma são economistas e representantes de entidades do mercado de imóveis. O POVO, então, traz informações para quem está interessado em fazer um financiamento imobiliário
Wânia Caldas - da Redação
Incentivos do Governo Federal, juros em tendência de queda e crédito farto para pessoa física. O cenário é favorável, mas a dúvida existe: será que este é o momento de fazer um financiamento para adquirir a casa própria? Os economistas consultados por O POVO acreditam que sim. Para eles, a retomada do mercado imobiliário, após os abalos sofridos no auge da crise econômica mundial, beneficia o comprador.
O economista e consultor financeiro João Maceno Gomes é direto ao afirmar que, do ponto de vista financeiro, “não pode existir momento melhor”. “Em relação ao crédito, está muito bom porque todas as taxas diminuíram, estão baixíssimas. Temos taxas de até 4,5% ao ano”, explica. E acrescenta: “Quem demorar a comprar, vai comprar mais caro porque a demanda vai aumentar. A quantidade de gente querendo comprar um imóvel é imensa. Hoje está até faltando imóveis de até R$ 100 mil, é igual a banana em feira, vende que faz gosto! O problema é que o mercado vai aumentar o preço dos imóveis, quem hoje cobra R$ 40 mil, vai querer cobrar R$ 45 mil, R$ 50 mil porque vai ter quem pague esse preço”, alerta.
Para ele, a diminuição dos juros não é argumento suficientemente forte para esperar porque, com a queda, vai ter redução da correção monetária e da TR (Taxa Referencial). Isso significa, então, que vai beneficiar todos os que fizeram um financiamento imobiliário, independentemente da época da assinatura do contrato.
O economista José Maria Porto, entretanto, diz que é preciso estar atento para o prazo de pagamento da dívida e os juros que vão incidir nas prestações para não ter que deixar de pagar e correr o risco de perder o imóvel. “Às vezes fica difícil adiar o sonho da casa própria, principalmente, se for a primeira. Mas é sempre bom ponderar os juros que se vai pagar. Este ano, há uma perspectiva de a taxa Selic continuar caindo, mas se essa redução vai ser repassada para os financiamentos não é certo ainda. Isso porque o banco sempre vai cobrar spread (lucro dos bancos), que vai ser acima da Selic”.
Essa incerteza, porém, não deve ser encarada como um empecilho, de acordo com ele. “Eu não esperaria para fazer o financiamento não, eu acredito que o que vai importar são as prestações caberem no orçamento. Fica difícil perder a oportunidade de comprar um imóvel à espera da redução da taxa de juros que ninguém sabe em qual o patamar vai chegar e se vai ser repassada para as taxas praticadas pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e pelos financiamentos realizados diretamente com a construtora”. E conclui: “acredito que o momento é bom para a compra do imóvel sim porque abriu-se uma janela de oportunidade para quem quer financiar imóvel, inclusive para pessoas da classe C e D. O único problema são as condições de renda no futuro para garantir o pagamento e ter cuidado ao escolher o imóvel e a construtora”.
DICAS PARA ESCOLHER O IMÓVEL
- Visite o imóvel a ser adquirido, preferencialmente durante o dia, pois é possível observar os detalhes. Faça também uma visita à noite, para verificar a movimentação da rua, os freqüentadores.
- Observe o estado geral da casa/apartamento, a pintura, o quintal/área de lazer, as instalações elétricas, o telhado.
- Se possível, visite o imóvel após uma chuva. Assim será possível verificar os problemas relacionados a trânsito e à possibilidade de enchentes locais.
- Observe se o bairro tem muito barulho ou movimento, seja de trânsito ou de pessoas. Se você procura conforto, esses podem ser pontos desfavoráveis. Em contrapartida, se o que esta procurando é um local de mais movimentação, essas podem ser boas características de localização.
- Fique atento também a pontos de ônibus, bancos, supermercados, farmácias, feiras.
- Nos casos de apartamento ou casas em condomínios, verifique se o valor da taxa de condomínio condiz com a média da região e padrão do imóvel e se esse valor não compromete seu orçamento.
- Se puder, faça uma pesquisa na prefeitura, para verificar se há débitos em atraso relativos ao imóvel e se há alguma restrição que possa impedir o uso futuro ou mesmo alguma irregularidade de área ou documental que possa depreciar o imóvel.
- No caso de apartamentos ou casas em condomínio, converse com o síndico ou o zelador e pergunte se há pendências condominiais. Veja se há um sistema de segurança, se a vaga de garagem é exclusiva, se na última reunião de condomínio ficou deliberado que haverá desembolsos extras.
Mercado de construção começa a reagir
A boa oferta de imóveis no Estado e a queda nos preços são os motivos para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-CE), Roberto Sérgio Ferreira, e o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Armando Cavalcante, concordarem que este é um momento propício para a compra da casa própria.
“Eu acho que estamos num momento muito interessante porque o mercado está em fase de reação. As oportunidades estão mais interessantes, os juros da Caixa estão muito bons, os bancos particulares estão baixando os juros para concorrer com a Caixa e as construtoras também. Os preços dos imóveis, antes da crise, estavam fora da realidade por causa da euforia do mercado, mas agora já voltaram à normalidade. Os preços dos terrenos, que também tinham subido, agora baixou. Além disso, os subsídios do Governo Federal, como o corte do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de materais de construção, ajudaram a baratear os imóves. Por isso, é importante aproveitar a oportunidade”, diz.
Para o presidente do Sinduscon, Roberto Sérgio, a grande oferta de imóveis está beneficiando o comprador cearense. De acordo com ele, a crise afastou os interessados por causa da falta de confiança na manutenção do emprego, mas agora “está barato e razoavelmente fácil”. “Agora é que as pessoas estão voltando para os estandes de venda porque a crise estava gerando inseguranças. Agora é que as coisas estão clareando apesar de que a redução dos juros ainda não chegou na ponta, no mutuário. Eu espero que daqui para o fim do ano a gente sinta isso. Acho que se a Selic fechar o ano a 8,75% está de bom tamanho porque aí psicologicamente fica todo mundo satisfeito, as pessoas ganham confiança e o mercado aquece”, esclarece.
Crédito : Financiamentos para todos os públicos
O Programa Minha Casa, Minha Vida está com inscrições abertas para quem tem renda de até três salários mínimos.
Os projetos das primeiras casas do Programa Minha Casa, Minha Vida já começaram a chegar nas agências da Caixa Econômica do Ceará. Apresentados pelas construtoras, os documentos já estão sendo analisados e podem até ser formalmente aceitos esta semana, como afirma o gerente regional da Caixa, Jaime Frota. De acordo com ele, esses projetos já vão viabilizar a construção de 500 unidades habitacionais. “A expectativa é que a construção demore cerca de um ano”, afirma.
Essas casas serão erguidas para atender as pessoas que têm renda de até três salários mínimos e que estão se inscrevendo nas prefeituras municipais. Em Fortaleza, a inscrição já pode ser efetuada gratuitamente em sete locais, além da internet no site www.fortaleza.ce.gov.br . Segundo a presidente da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor), Olinda Marques, cerca de 18 mil fortalezenses já se inscreveram no programa do Governo Federal e a meta é que 25 mil pessoas - número de casas que serão construídas através do programa na Capital - estejam cadastradas até o dia 30 de junho deste ano, quando acaba o prazo de inscrição. “Com a descentralização dos locais de inscrição e com o cadastro eletrônico as filas diminuíram bastante. Só fica cheio pela manhã, quando dá uma média de 350, 400 pessoas”, conta Olinda Marques.
As prestações dessas casas do Minha Casa, Minha Vida só começarão a ser pagas quando o comprador estiver morando e serão de R$ 50 para quem tem renda de até R$ 500. Os que receberem de R$ 501 a três salários mínimos mensais pagarão a casa com 10% da renda. Só não pode participar do programa quem já tem casa própria ou quem tenha algum imóvel financiado pela Caixa.
Para quem ganha de três a dez salários mínimos o programa oferece condições facilitadas para garantir a compra do imóvel. “É possível financiar até 100% do valor do imóvel e pagar em até 30 anos. A prestação varia de acordo com o valor do financiamento e o comprador pode comprometer até 25% da renda e utilizar recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). As taxas de juros variam de 4,5% a 8,16% de acordo com a renda, sendo que paga mais quem ganha mais”, explica o gerente regional da Caixa, Jaime Frota.
Ele diz que, para essa faixa de renda, conseguir se enquadrar no Minha Casa, Minha Vida é algo simples. “Basta ir a uma agência da Caixa com identidade, CPF, comprovante de residência e de renda do comprador, identidade e CPF do vendedor, se for pessoa física, ou CNPJ se for uma empresa, além da matrícula atualizada do imóvel. A idade do comprador somada ao tempo de financiamento não pode superar 80 anos, o imóvel tem que ser novo e com Habite-se expedido a partir de 26 de março deste ano e não pode custar mais de R$ 100 mil”, detalha as condições.
Outros bancos
O Banco do Brasil e bancos privados, como Brasdesco, Itaú e Unibanco, também oferecem crédito imobiliário para diversas faixas de renda. O Banco do Brasil tem financiamentos de até R$ 1,5 milhão e permite o comprometimento de até 30% da renda do comprador.
E MAIS
CADASTRAMENTO
Nos seguintes centros de cidadania: Virgílio Távora (Av. Mons. Hélio Campos, S/N, Pirambu, SER I), César Cals (Rua Cel. Matos dourado, 1499, Pici, SER III), Presidente Médici (Av. Borges de Melo, 910, Fátima, próximo a rodoviária, SER IV), Governador Lúcio Alcântara (Av. B, 460, Conjunto Ceará, 3ª etapa, SER V), Governador Adauto Bezerra (Rua 69, 181, 2a. etapa do Conjunto José Walter, SER V) e Evandro Ayres de Moura (Rua Caxambú, 2842, Conjunto palmeiras, SER VI), além da sede da Habitafor, na rua Nogueira Acioli, 1400, Centro. Para a inscrição pela Internet, acesse o site www.fortaleza.ce.gov.br .
Cuidado com contratos
A servidora pública Roberta Mendes (nome fictício porque ela preferiu não se identificar), 54, pagou durante 20 anos prestações do financiamento imobiliário que fez em 1988. No entanto, no ano passado, após ter pago R$ 146 mil em um apartamento avaliado em R$ 118, descobriu que estava devendo quase R$ 400 mil. "Quando eu paguei a última parcela, procurei a Caixa para negociar, mas eles não aceitaram. Depois descobri que minha casa estava prestes a ser leiloada. Eu fiquei indignada e corri para arranjar dinheiro para contratar um advogado. Hoje a questão está na Justiça. O maior sonho da família brasileira é ter uma casa, mas se tivessem me dito que seria uma bola de neve, eu não teria entrado".
O caso de Roberta Mendes é o mesmo de outros milhares de mutuários do País, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários (Abramutua), Edivaldo Oliveira. "É uma bomba-relógio, não explode no início. O Governo criou esse programa (Minha Casa, Minha Vida), mas é o mesmo sistema viciado do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). A solução, então, é entrar sabendo que vai ter que brigar em juízo", afirma.
Para os mutuários que tiverem problemas, Edivaldo Oliveira informa que eles podem procurar a Abramutua, na rua Francisco Xerez, 191. "O mutuário paga uma taxa de R$ 50 pela consulta e a adesão custa de R$ 500 a R$ 1.000. Depois, o mutuário paga uma mensalidade que varia de um terço a meio salário mínimo até resolver o caso".
Feirões tentam facilitar escolha
Até junho serão realizados dois feirões que podem facilitar a escolha dos interessados em adquirir um imóvel na cidade. Um deles é o 1º Fest Imóveis, que está acontecendo no Shopping Iguatemi desde o último dia 22 e se estende até o próximo domingo, 31. Lá estão presentes instituições financeiras e 22 construtoras comercializando tanto imóveis na planta como unidades já prontas. A feira acontece de 10h às 22h de segunda a sábado e de 14h às 22h aos domingos.
Outra opção é o Feirão Caixa da Casa Própria, realizada pela Caixa Econômica. A feira será realizada de 19 a 21 de junho no Centro de Negócios do Sebrae. Serão oferecidos milhares de imóveis, incluindo novos, usados e na planta. O evento é uma boa oportunidade para quem quer conhecer as condições de financimento do banco e até para quem quer fechar negócio sem ir a uma agência da Caixa.
SERVIÇO
1º Fest Imóveis
até 31 de maio / Informações: 3253.5555
Feirão Caixa da Casa Própria de 19 a 21 de junho no Centro de Negócios do Sebrae (Avenida Monsenhor Tabosa, 777).