Efeito direto
Construção civil concentrará benefícios com a Copa de 2014
Entre os setores beneficiados com a escolha de Fortaleza como sede da Copa do Mundo 2014, está o da construção civil, por onde passam ampliações, reformas e duplicação de vias
Uma nova cidade. Ruas mais largas e limpas, trânsito fluindo, sem buracos e com transporte público funcionando. Além disso uma rede hoteleira renovada, aeroporto ampliado e expansão no comércio, principalmente entre os restaurantes. Essa deve ser a Fortaleza que os visitantes vão encontrar quando vierem assistir aos jogos da Copa 2014 na capital cearense. Para isso diversos setores serão diretamente, e positivamente, afetados. E passando por todos eles está a construção civil, responsável por transformar os projetos em obras reais.
Para Ricardo Nóbrega Teixeira, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), o setor está pronto para atender a essa grande demanda que vem por aí. “Tudo passa pela construção civil, por isso a expectativa é grande”, afirmou. Otacílio Valente, presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon) vai mais além. “Fortaleza vai despontar em desenvolvimento. O setor estava preparado desde o ano passado, antes da crise, e agora vai seguir um processo crescente e constante”, estima.
As obras estruturantes, como a ampliação do aeroporto, duplicação de vias de acesso e a reforma do Castelão devem contar com empresas de fora do Estado: “Com grande capital social para conseguir sucesso nas licitações”, explica Valente. Mas o volume de empreendimentos sugere parcerias e terceirizações. “Além do movimento natural que esses investimentos promovem, estimulando a economia como um todo. A geração de empregos, reflete no comércio, que se transforma em renda para os trabalhadores, que vão se mudar ou adquirir habitação”, avalia.
Mão-de-obra
Teixeira lembra ainda que a mão-de-obra do setor de construção civil também está preparada para preencher os canteiros de obra por toda cidade. “Quanto a isso estamos tranquilos”, revela. Valente concorda. Para ele, a mão-de-obra cearense é capaz de suprir a necessidade da preparação de Fortaleza para receber a Copa 2014. “O Ceará é famoso por ter os profissionais mais produtivos e habilidosos. Não teremos problemas com este aspecto”, afirma.
Os dois representantes da construção civil ainda não podem transformar o tamanho do investimento em cifras. “Precisamos aguardar, mas podemos avaliar que, se apenas o Castelão e seu entorno vão custar R$ 400 milhões, o restante da obras deve ultrapassar o triplo desse valor”, estima o vice-presidente do Sinduscon. Para o presidente da Coopercon, a preparação da cidade, e o evento em si, terão um retorno maior ainda do que a aguardada refinaria. “Teremos muitos setores beneficiados diretamente nos próximos seis anos”, diz.
Porto do Mucuripe receberá R$ 120 milhões para reforma
A entrada pelo oceano será uma das alternativas para turistas que virão assistir à Copa do Mundo de 2014, em Fortaleza. Para receber a demanda de barcos, iates e transatlânticos, o ministro dos portos, Pedro Brito, garantiu que o Mucuripe estará adequado para qualquer tipo de embarcação, com conforto, segurança e dentro do prazo. As obras de modernização do porto estão orçadas em R$ 120 milhões.
O presidente da Companhia Docas do Ceará (CDC), Sérgio Novais, disse que R$ 60 milhões já estavam destinados mesmo antes de Fortaleza ser anunciada como subsede da Copa. “R$ 42 milhões para dragagem e o restante para reforço do cais comercial, da estrutura civil e a criação do Centro Vocacional Tecnológico (CVT), um equipamento social que pretende formar mão-de-obra qualificada e melhorar os índices de violência das redondezas”, explicou.
Sérgio Novais disse que após a ratificação do anúncio, ocorreram reuniões junto aos governos municipal e estadual em que foi pedido que o porto do Mucuripe tenha capacidade receptiva e funcione como base hoteleira para a Copa de 2014, incluindo estação de passageiros e ampliação do cais. “Fortaleza precisa entrar na rota de cruzeiros internacionais e também domésticos. Existe grande potencial para isso”, lembrou Novaes.
Pedro Brito disse que existe uma comissão na Presidência da República para a Copa. “Todos os portos receberão dinheiro federal para a melhoria de infraestrutura”, afirmou. Novais diz que o turismo marítimo em Fortaleza passa por uma tendência de crescimento. “A ideia é colocar a Capital na rota dos cruzeiros, que hoje passa só por Rio e Santos”, avaliou.
Dragagem
Em Fortaleza para a abertura do “Seminário Cidades Costeiras Sustentáveis: Portos, Turismo e Atividades Econômicas de Base Comunitária”, que acontece até amanhã (3), no auditório de Ciências da Universidade Federal do Ceará, Brito afirmou em seu discurso que os 20 principais portos do País serão dragados até o final de 2010.
No Mucuripe, a dragagem ainda depende de trâmites licitatórios, mas já estão garantidos os recursos para a operação. “A verba é proveniente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal”, comentou.
A preocupação com os impactos ambientais será uma das marcas do desenvolvimento portuário brasileiro. Pelo menos é o que garante o titular da Secretaria Especial de Portos (SEP). “As pessoas têm que ter em mente que os portos, antes de serem rentáveis, precisam respeitar o meio-ambiente. O Brasil deve ser exemplo mundial”, declarou Pedro Brito.