Jovens empresários
A nova geração do empresariado cearense
No ano em que a Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza (AJE) completa 20 anos, O POVO apresenta o pensamento do novo empresariado cearense
O executivo leal
Aos 33 anos, Rodrigo Freire é o que podemos chamar de cara tranquilo. Desde os 17, trabalha com o pai, o empresário Jorge Freire, na Porto Freire Engenharia. Executivo por competência, como faz questão de destacar, defende os princípios da lealdade para o crescimento profissional

Quando o dia está bom de vento, lá vai Rodrigo Freire para o mar fazer uma das coisas que mais lhe dá prazer: velejar. Também não importa se falta sol. E nem se é dia de semana. Gosta de acordar cedo para pegar onda. “Divido bem a minha vida. Não vivo só para trabalhar. Comecei a me dedicar mais aos esportes de uns dez anos pra cá. Quando me formei, intensifiquei minha vida no trabalho e fora dele”, conta Rodrigo complementando que “tenho hora de parar de trabalhar, mas quando preciso saio da empresa oito, dez da noite. Se tem alguma coisa para resolver, vamos em frente”.
Da praia para o trabalho, Rodrigo se mostra um homem decidido, feliz com o que faz. Desde os 17 anos, logo que entrou na faculdade de Engenharia Civil, começou a dar expediente oficial na Porto Freire Engenharia, a empresa do pai, o empresário Jorge Freire. A história de Rodrigo com a construção civil, no entanto, começa antes disso. “Cresci frequentando obras, desde pequeno já tinha essa inclinação. E como eu sempre gostei muito de números, de exatas, entendi que essa seria a minha praia”, explica Rodrigo, recordando que durante as férias não era raro perder a diversão para ir para a empresa com o pai. “Não vou fazer isso com meus filhos, não. Eu era danado demais, então meu pai me trazia pra cá”, brinca.
O menino cresceu admirado com a criatividade do pai, que ele define como um homem inteligente e de ideias modernas, revolucionárias. E nunca se importou em ser “filho do dono”. “Se eu tivesse que fazer tudo de novo eu faria. Tenho muita tranquilidade de sentar onde eu sento hoje. Sinto que está adequado. Tive ajuda sim, mas cheguei aqui com as minhas próprias pernas”, diz Rodrigo que hoje é diretor-comercial da empresa, coordenando cerca de 50 funcionários.
Os princípios
Rodrigo tem um tom motivador diante da equipe. É seguro ao afirmar que é um bom executivo. Não foca apenas nos resultados, mas em todo o processo que o faz se sentir bem diante da função que exerce. “A gente quer é que a empresa cresça de forma saudável e sirva à sociedade”, diz. Para ele, o bom executivo precisa carregar consigo o princípio da lealdade. “Gosto muito de pensar que o cara vai se colocar dentro da empresa como sendo um local para ele se realizar. Vejo a questão da lealdade. Se o executivo entender que a empresa vai poder também formá-lo como ser humano, ele vai dar tudo de si por essa empresa. Se não for assim, se não houver um casamento de ideias, não vai dar certo”, argumenta.
Apesar de ter muito conhecimento prático, Rodrigo se preocupou em se especializar. Fez diferentes pós-graduações e está sempre antenado no que pode contribuir para o conhecimento. “Gosto mais da prática, mas às vezes as pessoas têm a mania de achar que a formação técnica vem só de uma faculdade. Os melhores ensinamentos que você tem é num papo que você tem numa mesa de bar, é trocando uma ideia com um funcionário seu. Mas é claro que tem ficar antenado”, diz Rodrigo, que no ano passado leu mais de 24 livros e faz questão de repassar o conhecimento que tem. “Tô colocando em prática tudo o que já li. É importante passar o conhecimento”, afirma.
Rodrigo não se considera um empreendedor. “Meu pai é que é. Acho que não nasci com isso não. Tenho isso muito claro. Mas meu pai é e eu trabalho para ele da melhor forma possível”, resume. Para ele, mais importante do que se descobrir empreendedor é a necessidade de conhecer as potencialidades que cada um carrega consigo. “Se tiver que ser empreendedor vai ser, se tiver de ser empregado vai ser. E vai ser feliz, sim. O ruim é não descobrir quais são suas potencialidades e ficar correndo atrás de dinheiro. Tem fazer aquilo porque faz bem a alma”, finaliza. (Dalviane Pires)
QUEM É
Rodrigo Freire, 33, é diretor-comercial da Porto Freire Engenharia, formado em Engenharia Civil com pós-graduação em Gestão de Projetos, em Gestão Executiva e Gestão Estratégica de Pessoas. É casado e tem uma filha do primeiro casamento.
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