Feirão vende mais para classe média

Jornal:    O POVO
Editoria:  ECONOMIA
Assunto:  CEF: Feirão da Casa Própria
Data:      23/06/2009 – terça-feira

Casa própria

Feirão vende mais para classe média

Os imóveis na faixa de R$ 60 mil a R$ 130 mil foram os mais vendidos no Feirão da Caixa Econômica Federal. Os principais motivos seriam a queda das taxas juros, barateando o crédito, e a ampliação do prazo de financiamento imobiliário


A classe média baixa foi a principal clientela do Feirão da Casa Própria, promovido pela Caixa Econômica Federal, em Fortaleza nos últimos dias 19, 20 e 21. De acordo com o superintendente regional do banco, Gotardo Gurgel, os motivos seriam a ampliação dos prazos para o financiamento imobiliário, a queda da taxa básica de juros, o acesso mais facilitado ao crédito e o estímulo do programa federal “Minha Casa, Minha Vida” às famílias que recebem até 10 salários mínimos. Dos 5.271 negócios fechados e encaminhados durante a feira, mais da metade são os de valores entre R$ 60 mil e R$ 130 mil. Para Gurgel, este cenário de vendas é reflexo do cenário nacional no setor imobiliário.

Apostando no potencial de compra desta fatia da população, em especial a classe C, que a Magis Incorporações entrou no mercado imobiliário há dois anos. Hoje vem colhendo resultados positivos com a construção de imóveis populares com faixa de preço entre R$ 60 mil e R$ 90 mil. Nos três dias do Feirão, a empresa fechou 64 negócios. De acordo com o gerente comercial da Magis, Pedro Sabóia, quase todas as notícias recentes da economia brasileira vem animando os setores que trabalham com as classes C e D. “Teve a queda dos juros, os financiamentos mais longos e agora o Minha Casa, Minha Vida”, afirma.

Segundo Sabóia, desde o início do ano as vendas da Magis vêm crescendo em uma média de 20% a 30% por mês. Em maio, a empresa comercializou aproximadamente 170 unidades. A estimativa para este ano é que esse número se estabilize entre 200 a 250 unidades ao mês. Especialmente, com vendas nos bairros de Messejana, Parangaba, Maraponga, Dias Macedo e Parquelândia, onde serão os próximos lançamentos da empresa.

Balanço
O 5º Feirão da Caixa reuniu 61 construtoras, 27 imobiliárias e 350 empregados do banco. O público do evento foi de 25.554 pessoas, 27,43% superior ao registrado em 2008, segundo a organização da feira. Os negócios fechados e encaminhados somaram R$ 387,4 milhões, crescimento de 119,85% em relação ao evento do ano anterior.


EMAIS

- De acordo com a definição da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as classes A e B são formadas por pessoas que têm renda familiar acima de R$ 4.591; a classe C, de R$ 1.064 a R$ 4.591; a D entre R$ 768 e R$ 1.064; e, por fim, a classe E, formadas por pessoas com renda abaixo de R$ 768.

- O programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida” pretende construir um milhão de habitações em todo o País, para famílias com renda de zero a 10 salários mínimos. No Ceará, serão 51 mil moradias, sendo a metade prevista para ser construída em Fortaleza.

- Para participar, o interessado com até três salários mínimos deve se cadastrar na Prefeitura. Para a faixa de até 10 salários, o interessado deve procurar uma agência da Caixa.


NÚMEROS

387,4
MILHÕES DE REAIS FOI O VALOR DE NEGÓCIOS FECHADOS DURANTE O FEIRÃO CAIXA EM FORTALEZA NOS DIAS 19, 20 E 21 DESTE MÊS

5,2
MIL UNIDADES TIVERAM SUAS NEGOCIAÇÕES FECHADAS OU ENCAMINHADAS DURANTE OS TRÊS DIAS DE FEIRÃO

 

 

Potenciais consumidores


A classe C, que representa aproximadamente 52% da população brasileira, é o estrato social que vem assistindo o aumento de seu poder de compra. É o que aponta o Instituto Data Popular. Segundo a pesquisa, trata-se de uma fatia da população que tem grande potencial para adquirir um imóvel, nos próximos anos. Portanto, as empresas do setor imobiliário devem atentar para este público. O estudo mostra que o mercado popular no Brasil, cujo foco é o consumidor de baixa renda, movimenta R$ 620 bilhões anualmente.

De acordo com a definição da Fundação Getúlio Vargas, pertencem à classe C aqueles que têm renda familiar entre R$1.064 a R$ 4.591. No Brasil, são cerca de 40 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa do Data Popular estima que nos próximos anos, a demanda na classe C pela casa própria seja de 36 milhões de pessoas por 18 milhões de habitações.

Consumo
O crédito é a porta de entrada da base da pirâmide ao universo do consumo. Segundo o Data Popular, hoje, 86,9 milhões de cartões estão na mão de pessoas com renda de até R$ 1.700. Entre a população da classe C, 59,1% detém ao menos um cartão de crédito.



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