Plano Diretor > Empresários da construção civil admitem não conhecer bem as diretrizes do novo Plano Diretor. Ainda assim, apostam em poucas mudanças em seus investimentos e vários projetos destinados a classes ricas se concentram na área Leste.
Para onde irão os investimentos imobiliários com o novo Plano Diretor de Fortaleza? Ao longo da semana, O POVO consultou empresários e representantes de construtoras, dos consolidados aos novatos do setor, para responder a essa indagação. Todos admitiram que precisariam conhecer melhor o Plano Diretor antes de se pronunciarem oficialmente. Mas pelo que já conheciam, manteriam a tendência atual de lançamentos imobiliários, para as classes média e alta, na região Leste e Sudeste de Fortaleza, seguindo pelas avenidas Dom Luís e Santos Dumont, e principalmente, pela Washington Soares.
Outra tendência é de que os investimentos imobiliários de alto padrão, principalmente, condomínios, saíssem dos limites de Fortaleza, a Leste, no sentido Eusébio e Aquiraz. Mesmo com a expectativa que Fortaleza, com as novas diretrizes de planejamento urbano, consiga reordenar a cidade e promover um crescimento sustentável, o secretário municipal de Planejamento e Orçamento, José Meneleu Neto admite que as construtoras mantenham a tendência atual de expandir os negócios para Leste e Sudeste do município, mesmo após a aplicação do plano diretor. "Deve seguir neste sentido mesmo", disse.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), que participou das discussões sobre o novo Plano Diretor, representando os empresários do setor, também apontam estas tendências de direcionamento de investimentos. Mas, de acordo com o conselheiro do sindicato e vice-presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), José Carlos Gama, o documento de planejamento urbano estimula investimentos na zona Oeste da cidade, como na região da Bezerra de Menezes.
Isso porque foram ampliados os indicadores urbanos para construção na área, sem implicação de uma contrapartida financeira, do proprietário ao município, para se construir acima do limite estipulado ao lote e sem sobrecarga de infra-estrutura para o Poder Público - também conhecido como outorga onerosa ou solo criado.
"Os construtores que acreditarem naquela região serão premiados, já que o custo do terreno, o custo de fração ideal, vai reduzir, o que implica positivamente no custo final", para quem os investimentos na área devem focar para a habitação popular. Nesta região, devem investir as construtoras que já atuam junto às classes B e C.
O CIDADÃO
Adiamento
Ricardo Wagner Vieira Cruz é diretor da jovem construtora Apia. Com o terreno comprado no Bairro do Alagadiço Novo, a sudeste do município, ele pretende erguer um prédio residencial na região. Com a aprovação na Câmara Municipal do novo Plano Diretor, Cruz preferiu adiar o início das obras para poder conhecer as mudanças que pudessem implicar sobre sua construção. "Tenho que saber o que tem de novo neste documento e pensar o que vou fazer (com a obra)", afirmou , pouco antes de assistir o workshop do Sinduscon-CE.