Jornal: DIÁRIO DO NORDESTE
Editoria: ECONOMIA
Assunto: Material de Construção
Data: 22/01/2009 – quinta-feira
Mais crédito para material de construção
A estratégia é facilitar o crédito concedido pelos bancos às pessoas físicas, estimulando o mercado ´formiguinha´
Brasília/Fortaleza. O Governo vai estimular, no pacote de medidas anticrise, o financiamento para a compra de material de construção. A estratégia é facilitar o crédito concedido pelos bancos às pessoas físicas. Após reunião, ontem, no Ministério da Fazenda, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), informou que já há decisão dentro do Governo para permitir que os bancos possam utilizar os 2% dos depósitos compulsórios à vista direcionados ao microcrédito para financiar a compra de material de construção. Segundo Ideli, o Banco Central vai incluir a aquisição de material de construção pelas pessoas físicas na lista de atividades que podem se beneficiar do microcrédito, o que não ocorre atualmente. ´O BC vai deixar explícito, para estimular o efeito formiguinha´, disse.
De acordo com dados do BC, os bancos em novembro tinham disponíveis R$ 2,428 bilhões para emprestar com dinheiro dos depósitos compulsórios. Mas, os bancos, no entanto, só emprestaram R$ 1,315 bilhão nessas operações. O restante — R$ 1,229 bilhão — ficou depositado sem direito à remuneração. Ideli disse que os juros desses financiamentos vão cair, pois a taxa do microcrédito, de cerca de 3%, é inferior à do mercado.
A líder do PT informou que ainda que a Caixa Econômica Federal vai desburocratizar as exigências para a concessão do Construcard, que é o financiamento concedido pelo banco para obras em residências, com juros mais baratos. A senadora explicou que o banco ampliou de R$ 7 mil para R$ 25 mil o valor do financiamento, contudo, as exigências bancárias continuaram as mesmas — fiança e avalista . ´Ampliou, mas não surtiu o efeito que precisaria e a Caixa vai desburocratizar´, disse.
Ela antecipou também que a Caixa apresentou uma sugestão para que o crédito ofertado para a pessoa física tenha como avalista a loja de material de construção. ´A loja conhece essa clientela, eles funcionam na base do caderninho´, comenta Ideli. As medidas foram acertadas ontem pela senadora e representantes do setor de construção civil com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Segundo Ideli, elas serão incluídas no pacote de medidas que o presidente Lula anunciará na próxima semana e que terá a habitação popular um dos focos prioritários.
Para o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção Civil (Anamaco), Claudio Conz, as medidas vão permitir que o setor continue tendo em 2009 crescimento em torno de 8,5%. Em 2008, as vendas cresceram 10%, com faturamento total de R$ 40 bilhões. Formado pelas pessoas que compram aos poucos o material para a reforma de suas casas e negócios, o mercado formiguinha representa 77% das vendas.
ICMS
A líder do PT informou que o presidente Lula vai ´desafiar´ os governadores a reduzir também o ICMS. ´Não adianta só o Governo Federal trabalhar em medidas para manter a construção civil aquecida, porque existem medidas que os governos estaduais têm que adotar. Por exemplo, o governo já reduziu o IPI de vários produtos. E o ICMS? Não vai acontecer nada?´, questionou a senadora. Segundo ela, a proposição deve ser apresentada pelo Ministério da Fazenda ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
´Boa ajuda´
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon/CE), Roberto Sérgio Ferreira, o sucesso das medidas dependerá da rede bancária. ´A solução é exatamente aumentar o crédito no mercado. Tem projeto executado e gente querendo comprar. Se esse dinheiro do compulsório, de fato, chegar na nossa conta, é uma boa ajuda. O acesso mais facilitado ao Construcard também é válido para aquecer o mercado´, ressalta Roberto Sérgio.
No entanto, ele diz ainda depositar maior expectativa no pacote que o Governo sinalizou anunciar na próxima semana e que terá a habitação popular como um dos focos. ´Tudo é válido para aquecer o mercado. Estamos desde dezembro com diminuição da força de trabalho. Fortaleza tem muitos canteiros que estão com os cronogramas sendo repensados. Nos últimos 90 dias, está sendo preciso adequar o prazo da obra ao fluxo de capital.